Promovendo a transição para a economia de carbono neutro

White Paper

Em novembro de 2021, ocorrerá a 26a Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26) em Glasgow, na Escócia, onde governos do mundo todo terão de apresentar planos para reduzir significativamente suas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Mais de 125 países, incluindo as maiores economias do mundo, definiram metas para neutralizar suas emissões. Esse compromisso também foi assumido por cerca de 25% das empresas da Fortune 500, entre elas líderes globais como Amazon, Apple, Microsoft, Shell e BP. Quinhentas empresas definiram metas cientificamente embasadas e correspondentes à iniciativa da Science-Based Targets (SBTi), e outras 500 estão iniciando o mesmo processo.1 Além disso, a Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (Task Force for Climate-related Financial Disclosures, TCFD)2 conta com o apoio de mais de 1.200 grandes empresas, e diversos governos em todo o mundo estão se organizando para tornar a divulgação da TCFD obrigatória, incluindo o Reino Unido e a União Europeia (UE). 

A pressão sobre os governos e as empresas está crescendo, demandando ação. Além de divulgar projeções para o futuro, os investidores esperam que as empresas apresentem planos viáveis para gerenciar e reduzir suas emissões. E os próprios investidores serão cada vez mais avaliados em seu posicionamento quanto à transição para neutralizar as emissões.

Duas transições globais são necessárias para neutralizar as emissões: a transição para a energia limpa e a transformação de empresas em toda a economia. Isso exige a rápida redução do uso de fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis, que produzem dióxido de carbono (CO2) e outros GEE (como o metano), e a adoção de fontes de energia que não emitem GEE, como a solar, a eólica e a hidrelétrica. Requer ainda a descarbonização dos processos de produção existentes, a eletrificação das indústrias e a comercialização de tecnologias de sequestro de carbono. 

73das emissões globais provêm do setor de energia 

US$ 100 trilhões em investimentos são necessários para descarbonizar os sistemas de energia e a economia

Tudo isso gera uma enorme oportunidade comercial. Estima-se que serão necessários mais de US$ 100 trilhões em investimentos até 2050 para descarbonizar os sistemas de energia e a economia, ou seja, aproximadamente US$ 3,5 trilhões por ano.3 As empresas que estão investindo para neutralizar suas emissões serão beneficiadas quando regulamentações climáticas mais rigorosas forem implementadas, pois investidores e credores passarão a favorecê-las em detrimento de organizações que ainda não se adaptaram. Por sua vez, as empresas que não conseguirem acompanhar as mudanças verão suas fontes de capital tradicionais se tornarem mais caras e, por fim, seus negócios e ativos se estagnarem, a menos que elas tomem alguma atitude. 

As empresas estão começando a entender que superar a concorrência na redução das emissões de carbono será fundamental para obter sucesso comercial. No setor de energia, por exemplo, o custo de capital da prospecção de petróleo offshore em águas profundas é maior do que o de energias renováveis. Isso significa um preço de US$ 80 por tonelada de carbono (ver Imagem 1). Ou seja, embora o preço de US$ 80 por tonelada de carbono não seja atualmente negociado publicamente em nenhum mercado, nem seja um mandato governamental, os mercados de capitais já consideram esse valor. E esta é apenas a ponta do iceberg. Esse tipo de valorização será adotado em todo o mercado e em todos os setores, não apenas no de energia. A competitividade em carbono é um novo determinante de valor. 

Figura 1: Custo de capital mais alto no desenvolvimento de hidrocarbonetos

Preço do carbono implícito na Taxa Interna de Retorno (TIR) para projetos de petróleo offshore em comparação com as energias renováveis (US$/tn CO2)

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Fonte: divisão Global Investment Research da Goldman Sachs. TIR: taxa interna de retorno.

Os participantes do mercado primeiro focaram nas emissões atuais de Escopo 1, que são emissões diretas de fontes próprias ou controladas, e nas emissões atuais de Escopo 2, que são indiretas e também englobam emissões provenientes da geração de energia comprada. No momento, eles estão cada vez mais voltados para as emissões futuras de Escopo 1 e 2 e, em alguns setores, passaram a adicionar as emissões concretas de Escopo 3. 

Para vários participantes, é a adição das emissões de Escopo 3 que levará a uma mudança significativa na maneira como as empresas pensam sobre a transição. Isso ocorre porque as emissões de Escopo 3 são emissões indiretas não incluídas no Escopo 2, que acontecem em toda a cadeia de valor de uma empresa, tanto upstream (de fornecedores) quanto downstream (de clientes que usam seus produtos ou serviços).4 O efeito líquido dessa mudança é a geração de muito mais oportunidades em termos de requisitos de descarbonização, pois aumenta o foco no abastecimento de energia e incentiva a integração retroativa de soluções de energia limpa. Também atrai setores como o de tecnologia, pois as empresas procurarão descarbonizar suas cadeias de suprimentos, aumentando significativamente o número de empresas e negócios para os quais as metas de descarbonização se tornarão um foco imediato. Essas oportunidades incluiriam ativos como data centers e processos de manufatura de fabricantes de insumos de equipamentos, entre outros.

A transição para o carbono neutro é possível. Segundo a Goldman Sachs, cerca de 60% das emissões de GEE podem ser removidas economicamente a um preço de US$ 100/tonelada de carbono, em grande parte por meio de tecnologias de descarbonização, como energia renovável, hidrogênio limpo e sequestro de carbono (ver Imagem 2). No entanto, a questão é a velocidade da transição e, para isso, é fundamental que surjam rapidamente soluções viáveis do ponto de vista econômico para os demais 40% das emissões. Os custos da descarbonização e de suas tecnologias precisam continuar a cair. Isso exige capital para simplesmente aprimorar a tecnologia e depois mais capital para substituir a tecnologia antiga pela nova. Leva tempo e, quanto mais demorar, mais carbono será produzido e maior será a necessidade de descarbonização no futuro. 

Imagem 2: Descarbonização das emissões globais por setor

Curvas de custo de redução de carbono de conservação em 2020 (US$/tonelada de CO2e)

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Fig2b - TransitiontoNetZero - New

Curva de custo total de conservação e sequestro baseada em tecnologias atuais e custos associados

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Fonte: divisão Global Investment Research da Goldman Sachs. CCUS: captura, utilização e armazenamento de carbono. DACCS: captura direta de ar com armazenamento de carbono. Gt: gigatoneladas.

Atualmente, o foco de governos em orçamentos “verdes” são exemplos dessa mudança de cenário. Por exemplo, em novembro de 2020, o Reino Unido anunciou plano de 10 etapas com o compromisso de se transformar na "Arábia Saudita" do vento, aumentando sua meta de geração de energia eólica offshore de 30 para 40 gigawatts (GW) até 2030. Também almeja encerrar a venda de carros e vans novos a gasolina e diesel até 2030, colocando o Reino Unido na vanguarda da revolução do veículo elétrico. Além disso, o financiamento do plano tem como meta atingir 5 GW de capacidade de produção de hidrogênio de baixo carbono até 2030. Isso inclui novos investimentos em sequestro e armazenamento de carbono, energia nuclear e maior eficiência energética em residências e edifícios públicos.

O fundo de recuperação pós-pandemia de € 750 bilhões da União Europeia, aprovado em dezembro de 2020 e que faz parte de um orçamento maior de € 1,8 trilhão, indica que mais gastos serão destinados para iniciativas relacionadas ao clima. Cerca de 30% dos gastos previstos para iniciativas climáticas no orçamento da UE serão no período de 2021 a 2027. Isso provavelmente irá acelerar o desenvolvimento do hidrogênio limpo, entre outras iniciativas verdes. E, para ajudar a financiar esses gastos, o sistema de comércio de licenças de emissão da União Europeia (emissions trading scheme, ETS) aumentará sua receita. O ETS é um sistema de cap-and-trade que fixa um limite de emissões, mas as indústrias poluentes têm flexibilidade para cumprir esse limite por meio da compra de créditos de carbono.

Os compromissos assumidos pelos governos também ajudam a alinhar o investimento em iniciativas climáticas ao estabelecer as expectativas que os países têm sobre o setor financeiro. O plano do Reino Unido “mobilizará £ 12 bilhões de investimento governamental e, potencialmente, três vezes mais do setor privado”.5 Para que a transição seja a mais eficaz possível, a velocidade e a abrangência das ações serão fatores determinantes.

Além do preço do carbono, mudanças na regulamentação farão com que as empresas que agirem sejam mais competitivas. Em dezembro de 2020, o governo canadense promulgou uma lei que aumentará o imposto sobre o carbono no Canadá em C$ 15 por tonelada a cada ano, passando de C$ 50 por tonelada em 2022 para C$ 170 por tonelada em 2030. 

Em um artigo recente do G30, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, ressaltou um ponto importante: políticas públicas viáveis e com o olho no futuro incentivam ajustes em todo o mercado.6 Quando os governos tomarem medidas proativas e tratarem com seriedade a necessidade de reduzir as emissões, as empresas que pensam no futuro se anteciparão a esses movimentos e agirão de acordo com eles (ver Imagem 3). No entanto, isso requer foco e um investimento gigantesco. Do ponto de vista do investidor, é uma oportunidade para se antecipar a esses ajustes e ajudar a suavizar a transição.

Imagem 3: Papel dos setores público e privado na transição para uma economia de carbono neutro

Políticas públicas confiáveis, planos de transição e divulgação de riscos e oportunidades relacionadas ao clima estabelecem as bases da transição para uma economia de carbono neutro:

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O sistema financeiro deve se basear nisso para redirecionar capital para tecnologias e empresas mais sustentáveis. Isso envolve:

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Fonte: Comitê Diretor do G30 e Grupo de Trabalho sobre Mudança do Clima e Finanças, “Mainstreaming the Transition to a Net-Zero Economy”, outubro de 2020.

As empresas terão de fazer parcerias com investidores que tenham não apenas capital significativo, mas também experiência para ajudá-las na transição para uma energia mais limpa (ver Figura 4). Isso inclui experiência para gerir os riscos de infraestrutura, construção e desenvolvimento que irão surgir durante o processo de implementação de novas tecnologias para descarbonizar as práticas industriais das empresas. Escala e alcance global também serão fatores importantes.

Em última análise, acreditamos que as empresas e ativos que neutralizarem suas emissões - ou que estejam em um caminho viável para alcançar esse status - se beneficiarão das avaliações em relação a seus pares, pois os investidores considerarão seu risco menor comparado ao da concorrência. Por sua vez, haverá um potencial de gerar ótimos retornos para os investidores que financiarem a transição. Conclusão: este é um investimento importante, especialmente para empresas que querem estar no lado certo da história climática e, consequentemente, serem competitivas em uma nova economia sustentável.

Imagem 4: Emissões de CO2 da infraestrutura energética global

Planos atuais versus caminho para atingir o carbono neutro até 2050 (Gt de CO2)

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Fonte: World Energy Outlook 2020 e IPCC. Nota: 2020e = valores estimados para 2020 Gt–Gigatons. Representa as emissões de todo o setor de energia e processos industriais, incluindo usinas, instalações industriais, edifícios e veículos. Current

A transição para a economia de carbono neutro

A transição para uma economia de carbono neutro significa que tanto os países quanto as empresas precisam tomar as medidas necessárias para neutralizar a quantidade de GEE7 produzida pela atividade humana. Além disso, mudanças na agricultura e um uso mais adequado da terra serão fundamentais. A neutralização das emissões pode ser alcançada por meio de uma combinação de redução drástica de emissões de GEE e implementação de métodos para remover o dióxido de carbono da atmosfera (p. ex., plantio de árvores ou sequestro direto na atmosfera). Isso significa que as estratégias de carbono neutro não precisam necessariamente zerar as emissões de GEE, mas sim equilibrá-las com uma quantidade equivalente de remoção de carbono (emissões de GEE negativas). 

Para atingir o objetivo máximo do Acordo de Paris, é necessário neutralizar as emissões de GEE até 2050, limitando o aumento da temperatura global neste século para bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais (note que 2°C seriam 10 vezes mais prejudiciais do que 1,5°C). Se o mundo atingir essa meta, será possível diminuir a gravidade e a frequência das consequências mais catastróficas das mudanças climáticas, que incluem ondas de calor, incêndios florestais e aumento do nível dos oceanos. Limitar as mudanças climáticas neutralizando as emissões de GEE também ajudaria a aliviar algumas consequências econômicas negativas, como, por exemplo, alguns ativos se tornarem ociosos ou deixarem de ser viáveis antes do final da vida útil.8 

Há uma grande possibilidade de alguns ativos se tornarem ociosos em razão da transição. No caso das empresas de energia de grande porte, uma boa parte das reservas de carvão, petróleo e gás podem jamais vir a ser extraídas e queimadas e, como resultado, elas podem sofrer significativas perdas de valor.9 Um estudo de 2015 sobre ativos ociosos revelou que 80% das reservas mundiais conhecidas de carvão, 33% das reservas de petróleo e 50% das reservas de gás não poderiam ser aproveitadas se o aquecimento global fosse mantido abaixo de 2°C.10 Estimativas recentes indicam dados semelhantes. Isso representaria uma perda de US$ 7 trilhões em termos de valor de ativos em todo o mundo.

Com a aproximação da COP26, governos, provedores de capital e as próprias empresas terão que responder a uma pergunta simples: “Qual é o seu plano de transição para neutralizar as emissões de GEE?” A resposta a essa pergunta irá revelar os desafios que terão de enfrentar ao longo do processo, e sinalizar para o mercado quais serão as necessidades de investimento — de tecnologias comerciais em larga escala voltadas para energias renováveis "convencionais" a tecnologias emergentes, mas essenciais, como armazenamento e sequestro de carbono e hidrogênio verde. Os governos terão um papel fundamental nesse processo, mas também serão necessárias grandes quantias de financiamento de capital privado, especialmente de investidores com capacidade e conhecimento para realizar os planos de negócios necessários para a transição, construir novos projetos e operar esses ativos novos e eficientes em carbono no futuro (ver Figura 5).

Em geral, acreditamos que as empresas que conseguirem administrar adequadamente os riscos da transição terão acesso a capital mais barato e abundante. Por outro lado, quem não agir verá suas fontes de capital secarem. Isso já está acontecendo em alguns setores e, ocorrerá cada vez mais, à medida que os desafios e oportunidades aumentem. Esse acesso limitado ao capital, e também conforme muda a valorização da empresa, oferece um forte incentivo para que as companhias levem a mudança para neutralizar as emissões de GEE a sério e comecem a agir agora.

Imagem 5: Ciclo de inovação e investimento para atingir o carbono neutro

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Fonte: UKCOP26.ORG.

Governos e grandes corporações estão cada vez mais comprometidos com a meta para neutralizar suas emissões

Para atender ao apelo da ação climática global, diversos governos já começaram a colocar em prática os compromissos assumidos no Acordo de Paris, por meio de metas mais bem definidas e previstas em lei (ver Figura 6). Em junho de 2017, por exemplo, a Suécia aprovou uma lei que obriga o país legalmente a neutralizar as emissões de GEE até 2045.

A União Europeia agora busca neutralizar suas emissões de GEE até 2050. O Reino Unido, a França e a Dinamarca já têm essa meta prevista em lei.

Imagem 6: A descarbonização é uma meta global

2020 viu um ímpeto crescente entre alguns dos maiores países emissores de carbono para adotar planos e metas ambiciosos para o clima

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Fonte: Climate Action Tracker (dezembro de 2020). Governo do Reino Unido.

Anúncios recentes mostram um número crescente de governos comprometendo-se a atingir o carbono neutro. Em 2020, o presidente chinês Xi Jinping prometeu que a China atingiria esse objetivo até 2060. É um comprometimento significativo porque implica mudanças abrangentes no sistema energético do país. Como mais de 50% de seu consumo de energia são derivados do carvão, a transição global para atingir o carbono neutro seria impossível sem a cooperação da segunda maior economia do mundo. Em 2020, o Japão e a Coreia do Sul também se comprometeram a neutralizar suas emissões de carbono até 2050. E com um novo governo, os EUA, a maior economia do mundo, voltou a fazer parte do Acordo de Paris e compromete-se a ter uma economia de energia limpa até 2035. 

125+ países se comprometeram com a descarbonização

As corporações também estão adotando posturas ativas para atingir a economia do carbono neutro. Algumas das empresas mais influentes do mundo estão definindo metas ambiciosas de descarbonização, podendo se tornar grandes compradoras de energia verde. Por exemplo, a Amazon firmou o compromisso de atingir o carbono neutro até 2040 e está em processo de transformar as fontes de energia de suas operações em 100% renováveis até 2025.11 E a Microsoft anunciou que suas emissões de carbono serão negativas até 2030 e que, até 2050, removerá todo o carbono que já emitiu, diretamente ou por meio do consumo de energia elétrica, desde a sua fundação em 1975.12 

Os provedores de capital também estão se movimentando (ver Imagem 7). Representando mais de US$ 5 trilhões em ativos sob gestão, os membros da Aliança de Proprietários de Ativos de Carbono Neutro (Net-Zero Asset Owner Alliance) convocados pelas Nações Unidas comprometeram-se a neutralizar as emissões de carbono de seus portfólios até 2050.13 Esses membros, que se uniram em setembro de 2019, também apoiarão iniciativas propostas pela SBTi e pela Ação Climática 100+, uma organização composta por 545 investidores globais responsáveis por mais de US$ 52 trilhões em ativos sob gestão em 33 mercados.14

Imagem 7: Aumento rápido do apoio a iniciativas de ação climática

Número de organizações participantes

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Fonte: Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima, “2020 Status Report”, Science Based Targets, “Companies Taking Action”, novembro de 2020, Ação Climática 100+, “2019 Progress Report”, 2019.

Por fim, mais transparência será fundamental para os investidores que quiserem tomar decisões mais eficientes com base em informações para alocar seu capital. A estrutura da TCFD é o principal padrão de divulgação de informações sobre o impacto das mudanças climáticas e fornece orientações abrangentes para se avaliarem os riscos climáticos e as oportunidades. Hoje, quase 60% das 100 maiores empresas de capital aberto do mundo apoiam a TCFD, divulgam relatórios de acordo com suas recomendações ou ambos.15

E as novas leis vão acelerar esse processo. O Reino Unido, por exemplo, anunciou recentemente novas regras que forçarão algumas empresas de capital aberto a fazer divulgações de acordo com a TCFD. Até 2025, essas novas regras tornarão as divulgações de acordo com a TCFD obrigatórias no Reino Unido. Enquanto isso, a UE está incorporando a legislação sobre divulgações relacionadas ao clima a sua diretiva de divulgações não financeiras e espera-se que vários outros países e jurisdições sigam o mesmo caminho este ano. Além disso, a International Financial Reporting Standards Foundation (IFRS) lançou uma iniciativa de divulgações relacionadas a sustentabilidade centrada no clima e na TCFD que poderia abranger pelo menos 140 países.

A transição para a energia limpa está em andamento

As oportunidades de investimento na transição para a energia limpa são significativas. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change, IPCC) estima que cerca de US$ 3 trilhões de investimentos anuais serão necessários para limitar o aquecimento a 2°C até 2050 ou US$ 3,5 trilhões por ano para limitar o aquecimento a 1,5°C.16 Enquanto isso, a Goldman Sachs determinou uma oportunidade de investimento total de até US$ 16 trilhões até 2030 em um cenário semelhante à meta global de conter o aquecimento dentro de 2°C (ver Imagem 8).17

Planos de transição para a energia limpa estão começando a surgir. Por exemplo, a Iberdrola, uma empresa de serviços públicos espanhola, prometeu investir € 75 bilhões nos próximos cinco anos para aumentar sua capacidade de geração de energia renovável de 32 GW em 2019 para 60 GW até 2025.18 E a Enel SpA, uma importante empresa de serviços públicos italiana, anunciou que vai investir € 70 bilhões na próxima década para aumentar sua capacidade de geração de energia renovável de 45 GW para 120 GW até 2030.19 É importante notar que duas das maiores empresas de serviços públicos do mundo, ambas com exposição significativa a energias renováveis, estão investindo bastante para aproveitar a transição para a energia limpa.

Também é importante notar que os investidores estão recompensando essas importantes empresas de energia renovável nos mercados. A NextEra Energy, uma empresa de serviços públicos com sede na Flórida que, às vezes, é chamada de “gigante de energia limpa”20, tem um valor de mercado de US$ 160 bilhões e, de acordo com a Bloomberg, é negociada a 30 vezes o seu lucro projetado pelo sell-side para 2022.21 Quando se considera que o valor de mercado da NextEra não está muito distante do da Exxon Mobil e da Chevron, ambas negociadas a cerca de 17 vezes o seu lucro projetado pelo sell-side para 2022, fica claro que a preferência dos investidores por empresas que podem ser consideradas “gigantes de energia” mudou. Isso sugere que o mercado está atribuindo valor aos ativos de carbono neutro, ou em vias de se tornar carbono neutro, e valorizando-os por terem um risco menor do que seus concorrentes (ver Imagem 9).

Figura 8: Uma oportunidade de US$ 16 trilhões

Investimento acumulado na transição para a energia limpa até 2030 (US$ ton)

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Fonte: World Energy Outlook da Agência Internacional de Energia (IEA), divisão Global Investment Research da Goldman Sachs. EV: veículo elétrico. CCUS: captura, utilização e armazenamento de carbono. FCEV: veículo elétrico movido a célula de

Imagem 9: Baixos emissores de carbono são negociados com retornos cada vez mais elevados

(Total de emissões de Escopo 1 e 2 de GEE/GFA) Múltiplos de EV/EBITDA de 12 meses (2010-2021), excluindo dados financeiros

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Fonte: Refinitiv, FactSet, Bloomberg, divisão Global Investment Research da Goldman Sachs. EV/EBITDA: valor da empresa em relação ao seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Q: quintil. Os emissores de altos e baixos níveis
Espera-se que a energia renovável se torne a maior fonte mundial de geração de eletricidade até 2025

Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a energia renovável representará 95% do aumento líquido previsto na capacidade global de geração de energia até 2025.22 Atualmente, a energia hidrelétrica é a maior fonte de eletricidade renovável do mundo. Mas em termos de crescimento, são as trajetórias das energias solar e eólica que chamam a atenção. Somente a energia solar representa 60% de todo o aumento previsto na capacidade de geração de energia renovável até 2025; e a energia eólica, 30%.23

Na maioria dos países, as energias solar e eólica onshore são as formas mais baratas de incluir novas capacidades de geração de eletricidade (ver Figura 10). Elas podem ser implementadas em escala, fornecer quantidades significativas de energia e são economicamente viáveis sem subsídios governamentais. Esses fatores estão gerando mudanças significativas nas opções energéticas globais: “As energias renováveis ultrapassarão o carvão e se tornarão as maiores fontes de geração de eletricidade no mundo em 2025”, diz o relatório da IEA (ver Figura 11). “A essa altura, espera-se que elas forneçam um terço da eletricidade mundial.” O índice da energia hidrelétrica deve se manter estável, gerando cerca de metade da eletricidade renovável no mundo.

Imagem 10: As energias solar e eólica são as fontes de geração em massa mais baratas

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Fonte: Bloomberg New Energy Finance.

Imagem 11: Geração de eletricidade por tecnologia em 2025

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Fonte: Agência Internacional de Energia (IEA).

Nos EUA, as políticas de eletricidade limpa propostas pelo presidente Joe Biden poderiam acelerar a transição para a energia limpa, pois levariam a uma implantação mais rápida das energias eólica e solar. Logo após tomar posse, o presidente Biden tomou medidas para combater a crise climática, e as ambiciosas metas levarão a uma revolução de energia limpa “que resultará em um setor de energia neutro em carbono até 2035”.24 Para alcançar esses objetivos, é necessário investir capital significativo e know-how nas redes de eletricidade. O objetivo é fazer a transição das fontes de geração de energia que emitem CO2 para recursos renováveis.

Estima-se que o armazenamento de energia vá acelerar a acessibilidade e o uso da energia renovável 

Certamente, o vento e o sol são fontes de energia intermitentes. E os operadores das redes precisam de confiabilidade para manter as luzes acesas. Portanto, as tecnologias de armazenamento de energia serão importantíssimos para garantir um abastecimento consistente (ver Figura 12). Referente à energia eólica e solar, subsídios governamentais mobilizaram investimentos que resultaram em um maior avanço nas tecnologias e escala de produção em todo o mundo, reduzindo assim a curva de custo. O desenvolvimento do armazenamento de energia por baterias tem sido outro por dois motivos: o setor privado está assumindo a responsabilidade e seu foco é a eletrificação do transporte, não necessariamente a estabilidade das redes elétricas.

Imagem 12: Carga básica de energia confiável necessária para acomodar a intermitência eólica e solar

Mix de geração diária de uma operadora de sistema independente da Califórnia (MW)

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Fonte: California ISO.

As baterias ainda são uma tecnologia cara e, embora o processo tenha demorado mais tempo do que muitos esperavam, elas estão se tornando mais competitivas em termos de custo. E a importância das baterias, que armazenam eletricidade em forma de energia química, não pode ser subestimada. A tecnologia de armazenamento de energia ajudará na transição da geração de eletricidade baseada em carvão para uma geração baseada em energia renovável. Por exemplo, em novembro, a Tesla e a Neoen, uma empresa francesa de energia renovável, anunciaram uma parceria para construir uma das maiores baterias de íons de lítio do mundo em Geelong, a sudoeste de Melbourne.25

Futuramente, o armazenamento de energia por baterias criará oportunidades comerciais interessantes. No entanto, ele vai favorecer quem tiver experiência em investir em ativos de energia limpa, gerenciar a intermitência das energias renováveis e operar as energias renováveis à medida em que a energia limpa aumentar sua presença nas redes elétricas.

Experiência operacional ajudará a incentivar a transformação nas empresas

A oportunidade de transformação que a descarbonização proporciona para as empresas é global e independe do setor. A necessidade de novos produtos e soluções para reduzir as emissões de carbono cria uma proposta comercial atraente para os provedores de capital privado. Isso gera um impacto positivo na atividade de uma empresa, que, por sua vez, leva a resultados mensuráveis no mundo real. 

O setor de energia é o maior emissor de GEE. Esse setor, que inclui eletricidade, manufatura, transporte e edifícios, representou 73% das emissões globais em 2017 (ver Imagems 13 e 14).26 Portanto, existem muitas maneiras de incentivar mudanças, por exemplo, por meio de contratos de compensação de energia, e muitas oportunidades paralelas, como a de armazenamento. Além disso, não será difícil encontrar essas oportunidades comerciais, uma vez que as empresas estão divulgando publicamente suas metas de atingir o carbono neutro. No entanto, para que a transformação seja a mais eficiente possível, acreditamos ser necessário ter experiência operacional e em geração de energia para se tornar um possível parceiro dessas empresas.

Imagem 13: Parcela das emissões globais de gases de efeito estufa

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Fonte: Climate Watch, World Resources Institute.

Imagem 14: A geração de energia é crítica, mas todos os setores devem reduzir as emissões

Redução necessária nas emissões de CO2 para cumprir a meta de temperatura do Acordo de Paris

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Fonte: Agência Internacional de Energia (IEA), 2020, World Energy Outlook 2020, IEA, Paris e IPCC.

Pense em uma típica empresa de petróleo e gás. Além do custo para financiar sua transição, a empresa precisaria adquirir sistemas de sequestro de carbono, remover suas emissões de carbono da atmosfera e investir na infraestrutura necessária para tal.

Ela também teria que obter eletricidade renovável para abastecer suas operações e determinar se precisa adquirir créditos de compensação de carbono no mercado. Essas demandas operacionais são altamente complexas.

Mas empresas de outros setores também precisarão de ajuda para neutralizar suas emissões de GEE. Por exemplo, a indústria siderúrgica é responsável por 8% das emissões mundiais que contribuem para as mudanças climáticas.27 Para atingir os objetivos mínimos do Acordo de Paris, o setor precisa reduzir suas emissões em pelo menos 50% até 2050. A produção de aço é difícil de descarbonizar, mas é essencial para o bom funcionamento da economia global. Um estudo recente da McKinsey afirma que aproximadamente 14% do valor da indústria estará em risco se ela não reduzir seu impacto ambiental.28 

A inovação terá um papel importante na descarbonização da produção de aço. Possíveis soluções incluem o aço “verde”, à base de hidrogênio. Atualmente, para financiar novos projetos de inovação, as empresas buscam fazer parcerias com outras que tenham experiência operacional, além de capital, escala e conhecimento. 

O capital privado também pode ajudar a acelerar a transição em muitos setores fundamentais para a economia global, como de energia, serviços públicos, aço, cimento, entre outros. Resumindo, as empresas que não tiverem capital nem experiência operacional para executar essa transformação por conta própria precisarão de ajuda externa. Isso sem contar que diversas empresas estão com seus balanços prejudicados pelas consequências da pandemia da Covid-19. 

Ao mesmo tempo, a pressão está aumentando à medida que mais investidores pedem às empresas que divulguem planos de transição viáveis. A Ação Climática 100+ recentemente exigiu que 161 empresas, incluindo as maiores emissoras, publicassem suas estratégias para reduzir as emissões em 45% até 2030, em relação aos níveis de 2010, para atingir suas metas de carbono neutro. 

A transição para uma economia de carbono neutro irá variar de acordo com o setor e a implementação, e exigirá que as empresas tenham parceiros com uma ótima compreensão das tecnologias e eficiências operacionais necessárias para descarbonizar indústrias.

Conclusão

A sustentabilidade será muito importante para o crescimento das economias após a Covid-19. Os governos já estão anunciando altas parcelas de gastos fiscais para atingir as metas de sustentabilidade, e o capital privado será decisivo para financiar os mais de US$ 3 trilhões em investimentos anuais necessários nos próximos 30 anos.29 

Em breve saberemos com mais clareza quais empresas estão realmente buscando implementar iniciativas climáticas. As empresas que demorarem para adaptar suas operações correrão o risco de ficar para trás, sofrendo desvalorizações e um acesso reduzido ao capital. Portanto, há uma enorme oportunidade de criar valor real ajudando as empresas a fazerem a transição. 

Para que a transição da energia e das empresas ocorra de forma bem-sucedida, serão necessários grandes investimentos de investidores que tenham conhecimento operacional e uma profunda compreensão das tecnologias de eletrificação e energia limpa. Com o futuro em mente, acreditamos que esse tipo de apoio poderá fazer toda a diferença.

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Glossário
  • Adicionalidade — se um investimento aumenta a quantidade ou a qualidade da produção de uma empresa além do que ela teria aumentado sem esse investimento.
  • COP26 — conferência global a ser realizada em Glasgow, Escócia, em novembro de 2021, quando os países deverão apresentar seus planos para atingir o objetivo do Acordo de Paris.
  • Descarbonização — processo de redução da quantidade de GEE produzida pela atividade humana.
  • Investimento de impacto — investir com o objetivo de gerar retorno financeiro e um impacto social e ambiental positivo e mensurável.
  • Carbono neutro — a meta, que pode ser aplicada a uma empresa ou um país, de zerar completamente a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) produzida pela atividade humana. Pode ser atingida por uma combinação de 1) redução significativa das emissões de GEE e 2) implementação de métodos de remoção ou absorção de dióxido de carbono da atmosfera (p. ex., plantio de árvores, sequestro de carbono na atmosfera etc.). Obs.: uma estratégia de carbono neutro não requer emissão zero de GEE. Em vez disso, as emissões de GEE geradas precisam ser equilibradas por uma quantidade equivalente de remoção de carbono (emissões negativas de GEE), portanto, “neutras”.
  • Adoção do Acordo de Paris — uma estratégia empresarial, de investimento ou econômica consistente com os objetivos do Acordo Climático de Paris. Portanto, uma meta consistente com a manutenção de um aumento de temperatura de menos de 2°C ou até menos de 1,5°C.
  • Metas baseadas na ciência (science-based targets, SBT) — metas que fornecem um caminho claro e definido para as empresas reduzirem as emissões de GEE, ajudando a evitar os impactos mais prejudiciais das mudanças climáticas e garantir o crescimento das empresas no futuro. As metas são consideradas “baseadas na ciência” se estiverem alinhadas com aquilo que os mais recentes dados científicos sobre o clima consideram necessário para atender aos objetivos do Acordo de Paris, limitando o aquecimento global a menos de 2°C em relação aos níveis pré-industriais e buscando meios para limitá-lo a 1,5°C.
  • Ativos ociosos (stranded assets) — ativos que não conseguem mais fornecer um retorno econômico como resultado das mudanças associadas à transição de energia.
  • Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU — conjunto de 17 objetivos acordados e adotados em 2016 por 193 países. Os objetivos abrangem questões econômicas, sociais e ambientais e estabelecem metas específicas a serem alcançadas dentro dessas áreas até 2030. Muitos investidores sustentáveis e de impacto usam os ODS das Nações Unidas como referência e podem afirmar que seus investimentos ou estratégias estão alinhados ou ajudam a atingir um ODS específico da ONU.

Notas finais:
1. SBTi.
2. TCFD, “2020 Status Report”, outubro de 2020.
3. Agência International de Energia, “World Energy Outlook 2020” e Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), “Global warming of 1.5°C”, 2019.
4. Greenhouse Gas Protocol (https://ghgprotocol.org/sites/default/files/standards_supporting/FAQ.pdf) e Comitê Diretor do G30 e Working Group on Climate Change and Finance, “Mainstreaming the Transition to a Net-Zero Economy”, outubro de 2020.
5. Financial Times, Boris Johnson: Now is the time to plan our green recovery”, 17 de novembro de 2020.
6. Comitê Diretor do G30 e Working Group on Climate Change and Finance, “Mainstreaming the Transition to a Net-Zero Economy”, outubro de 2020.
7. GEE são gases na atmosfera que absorvem calor, mantendo a atmosfera do planeta mais quente do que seria de outra forma. O dióxido de carbono (CO2) é o GEE mais comum emitido pela atividade humana em termos de quantidade liberada e impacto total no aquecimento global. Fonte: Ecometrica.
8. Em termos simples, os ativos ociosos são aqueles que acabam por valer menos do que o esperado como resultado de mudanças associadas à transição energética. O conceito de ativo ocioso (stranded asset) tem sido interpretado como uma série de fatores, entre eles: 1) perda de valor econômico devido a uma mudança nos custos/preços relativos, 2) ociosidade física devido a distância/inundação/seca e 3) perda de valor por questões regulatórias devido a mudanças na legislação. Fonte: Carbon Tracker Initiative, “Stranded Assets”, 23 de agosto de 2017.
9. Financial Times, “Lex in depth: the $900bn cost of 'stranded energy assets'”, 4 de fevereiro de 2020.
10. Nature, “The geographical distribution of fossil fuels unused when limiting global warming to 2 °C”, Christophe McGlade e Paul Ekins, 7 de janeiro de 2015.
11. Amazon Sustainability.
12. Microsoft, “Microsoft will be carbon negative by 2030”, 16 de janeiro de 2020.
13. Principles for Responsible Investment, “Institutional investors transitioning their portfolios to net zero GHG emissions by 2050”.
14. https://www.climateaction100.org/whos-involved/investors/.
15. Forbes, “The World’s Largest Public Companies”, 13 de maio de 2020, e Task Force on Climate-related Financial Disclosures, “2020 Status Report”, outubro de 2020.
16. Imperial College Business School Centre for Climate Finance & Investment, “Transition Finance: Managing Funding to Carbon-Intensive Firms”, 17 de setembro de 2020.
17. Goldman Sachs Research, “Carbonomics: 10 Key Themes From the Inaugural Conference”, 16 de novembro de 2020.
18. Iberdrola, “Iberdrola pledges €75 billion to capitalise on energy transition”, 5 de novembro de 2020. 
19. S&P Global Market Intelligence, “Enel to invest €160B to protect ‘renewables supermajor’ status”, 24 de novembro de 2020.
20. Bloomberg, “The New Energy Giants are Renewable Companies”, 30 de novembro de 2020.
21. 20 de janeiro de 2021.
22. IEA, “Renewables 2020”, novembro de 2020.
23. IEA, “Renewables 2020”, novembro 2020.
24. The White House, “Fact Sheet: President Biden Takes Executive Actions to Tackle the Climate Crisis at Home and Abroad, Create Jobs, and Restore Scientific Integrity Across Federal Government”, 27 de janeiro de 2021.
25. Financial Times, “Tesla and French energy group to build new Australia mega battery”, 4 de novembro de 2020.
26. World Resources Institute, “This Interactive Chart Shows Changes in the World's Top 10 Emitters”, 10 de dezembro de 2020.
27. World Steel Organization; McKinsey, “Decarbonization Challenge for Steel”, 30 de junho de 2020.
28. McKinsey. Estudo com 20 siderúrgicas mundiais. O valor em risco (value at risk) médio ponderado da amostra é de 14% do valor presente líquido em um cenário de 2°C, no qual os preços globais do carbono aumentam para US$ 100 por tonelada de dióxido de carbono. Os resultados variam de 2% a 30% entre as empresas.
29. Imperial College Business School Centre for Climate Finance & Investment, “Transition Finance: Managing Finance to Carbon-Intensive Firms”, 17 de setembro de 2020.

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